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Meio Ambiente em primeiro lugar

  • Foto do escritor: Nicole B. L. Sigaud
    Nicole B. L. Sigaud
  • 12 de jun. de 2019
  • 5 min de leitura

Atualizado: 30 de abr. de 2020



Nosso alimento vem da terra. Precisamos de água para beber, para higiene pessoal e para abastecer a indústria. Precisamos de energia, que é proveniente dos recursos naturais. Entre muitas outras coisas. Como o básico que nos mantém vivos pode não ser prioridade?

Como seria em uma situação de desabastecimento de água? Não é difícil de imaginar, pois infelizmente já é uma realidade. Recentemente a escassez hídrica chegou a atingir vários estados e inclusive a cidade de São Paulo, o principal centro financeiro do país, onde ninguém acreditou que um dia aconteceria. Milhares de pessoas ficaram sem água nas zonas periféricas de São Paulo. Em situações como essa, percebemos que tudo o mais é que se torna secundário.

A crise hídrica não foi um fenômeno atípico, ela é consequência da má gestão e da degradação do patrimônio natural, ela ainda está presente e seus princípios geradores continuam se agravando. Como ficaria o sistema de saúde, a educação, a economia e a segurança pública em um colapso hídrico? Ouvimos muito que essas esferas são a prioridade e que meio ambiente vem depois nas prioridades políticas. Mas quando refletimos que para um meio ambiente saudável e equilibrado são necessárias coisas como saneamento básico, combater a poluição e degradação ambiental, revisão de hábitos da população, entre outros, percebemos que a lógica é inversa. É preciso uma visão integrada, pois para se trabalhar o meio ambiente é necessário trabalhar o todo em conjunto.

Dentre as doenças mais comuns hoje no Brasil estão o câncer, o diabetes, doenças do coração e aparelho circulatório, doenças respiratórias, alergias, depressão, cólera, dengue, hanseníase, hepatite, leishmaniose, malária e sarampo. A maioria é altamente associada e/ou agravada por fatores como: maus hábitos alimentares; estresse; ansiedade; poluição; sedentarismo; e falta de saneamento básico. Todos esses fatores podem ser melhorados, trabalhando a questão ambiental.

Nos centros urbanos se pode melhorar a qualidade ambiental e de vida através do aumento de áreas verdes, que além dos já conhecidos efeitos benéficos que proporcionam, como: redução de poluição, aumento da umidade do ar, redução de temperaturas, entre outros – permitem ampliar a oferta de atividades ao ar livre, para lazer e práticas esportivas, que favorecem o corpo e a mente. E ainda, o próprio contato das pessoas com a natureza é, cientificamente comprovado, um grande fator de bem estar e saúde.

Nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, cresce a tendência de criação dos chamados jardins terapêuticos. Eles são construídos ao ar livre ou em átrios e solários dos hospitais e em locais públicos, para serem frequentados pela população em geral, com efeitos significativos para a saúde das pessoas, como: a redução da pressão arterial; da ansiedade; de distúrbios do sono; aumento da sensação de felicidade e de Vitamina D; melhora do desenvolvimento cognitivo, motor, visual e do sistema imunológico em crianças; entre muitos outros.

No Brasil nos baseamos em uma política de gestão de crises, trabalhamos para resolver problemas, mas não para evitar que continuem surgindo. Utilizando a questão da saúde como exemplo, a prioridade dos investimentos é ter estrutura para tratar cada vez mais pessoas doentes. Por outro lado, muitos países e planos de saúde já vem percebendo que priorizar a prevenção de doenças se demonstra muito mais eficaz e uma enorme economia.

Na questão de segurança pública também é possível prevenir, através de uma abordagem ambiental. Muitas pesquisas realizadas em diversos países constataram que as áreas verdes podem ser poderosas aliadas no combate à criminalidade nas cidades, pois a vegetação gera um efeito calmante e mentalmente restaurador nas pessoas, que inibe precursores psicológicos para atos violentos ou que poderiam levar à prática criminosa.

Pesquisadores do Serviço Florestal dos Estados Unidos conduziram estudos e descobriram que os crimes diminuem, consideravelmente, à medida que se arboriza as zonas críticas da cidade. Em Ohio, um resultado similar vem ocorrendo desde 2010, quando as autoridades locais começaram um projeto para converter terrenos e áreas abandonadas, em espaços verdes. Desde então, o índice de criminalidade despencou.

Bairros urbanos com mais espaços verdes têm níveis mais baixos de criminalidade e violência interpessoal, de acordo com pesquisa da Universidade de Washington. O estudo mostra que os moradores de conjuntos habitacionais com árvores e paisagens naturais nas proximidades relataram 25 por cento menos atos de violência doméstica e agressão, bem como cerca de 50 por cento menos crimes totais do que outros edifícios com espaço verde escasso.

É claro que a qualidade dessas áreas verdes conta muito também, pois em algumas situações áreas densamente vegetadas em espaços públicos podem ser locais propícios para crimes, mas este problema está muito mais relacionado à forma como esses locais são projetados ou muitas vezes da ausência de projeto paisagístico e de iluminação adequados, ou mesmo da falta de manutenção desses espaços. De maneira geral áreas verdes públicas bem projetadas incentivam a interação social e a supervisão desses espaços pela comunidade, tornando-os mais seguros.

Na pesquisa realizada pelo Prof. Frances Kuo, da Universidade de Illinois, que conduziu uma revisão de vários estudos sobre os efeitos das plantas e do paisagismo nos parques e nas áreas públicas, se constatou que as áreas arborizadas aumentam a expectativa de vida e o índice de felicidade das pessoas, que têm relações mais felizes e melhor desempenho quando vivem em bairros mais arborizados. Acredita-se que viver perto de espaços limpos, bem cuidados e conservados é essencial para a melhora do estado físico, psicológico e bem-estar social, criando uma atmosfera mais civilizada, incentivando uma reação em cadeia positiva. Esse mesmo estudo aponta que pessoas com menos acesso à natureza mostram a atenção relativamente deficiente, função cognitiva baixa, má gestão das questões relacionada a acontecimentos diários e baixo controle do impulso.

No aspecto educacional, pode-se trabalhar a sustentabilidade através da educação alimentar, por exemplo. Levantando informações sobre a origem e processo de fabricação dos alimentos, que quanto mais processados industrialmente são, mais recursos naturais empregam em sua produção, mais substâncias químicas nocivas levam em sua composição e mais poluentes disseminam no ambiente. Sem falar dos agrotóxicos e seus efeitos para a saúde e meio ambiente. E ainda, se pode trabalhar a educação para o descarte correto de resíduos e revisão de hábitos de consumo, que são o que direcionam as práticas industriais e de mercado. Só é possível a sustentabilidade com uma população bem instruída, consciente e responsável por suas escolhas e atitudes, então sustentabilidade está intrinsicamente relacionada com a educação.

Priorizar o meio ambiente é priorizar a saúde, a educação, a economia (que sem a sustentabilidade é ilusória) e a segurança. Tratar o tema como secundário é tratar o contexto geral de forma limitada. Nenhum outro tema afeta diretamente tantas outras esferas como o meio ambiente, que é o pilar sobre o qual construímos nossa sociedade. Precisamos levar o meio ambiente como prioridade em nossas escolhas, pois com isso levamos todo o resto.

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